A lua já subia enquanto tangiam o pentágono verde. Em meio à escuridão que avançava, os dois heróis deram-se com um par de víboras enormes.
Verdes como a mata, faziam severas investidas enquanto serpenteavam entre a relva, deixando a dupla de viajantes sem ação. Numa bocada, as cobras poderiam facilmente engolir qualquer um dos dois.
Pressionada, Decker não conseguia tempo pra sequer tocar um único acorde, mas ainda possuía alguns ases.
Entre um bote e outro, através de movimentos precisos de seus longos dedos afinalados, Decker desacoplou, por meio de complexas travas no bandolim, um pomposo florete do dorso de seu precioso instrumento.
Lutava com a espada tal um maestro conduzia sinfonia. Ataques rápidos e seguros, entre passadas suaves e delicadas... Suas habilidades de esgrimista eram excepcionais.
A batalha fora fácil, entretanto cansativa. No decorrer, receberam esguichos de veneno, que segundo Decker, entre uma estocada e outra, deveriam evitar que entrassem em contato com olhos, boca ou qualquer ferida aberta.
Ao final, banhados com uma substancia incolor, correram para um charco conhecido, logo à frente, para evitar qualquer absorção do veneno. Lá, Decker ordenou às pressas que Junto patrulhasse de longe enquanto ela se enxaguava. Assim o fez.
Alguns poucos minutos se passaram sob o som da natureza até que foi rompida pelo grito agudo de Decker. Rapidamente Junto veio ao encontro da moça. Quando finalmente a viu, a beira d’água, encolhida, sentiu um frio que correu do primeiro fio de pelo das pernas até o último do cabelo. Aproximou-se depressa para socorrê-la. A garota encontrava-se nua. Sua pele branca macia, coberta com gotículas, refletia a luz da lua minguante nos olhos do rapaz. Segurava as pernas junto ao peito enquanto apertava violentamente o ombro direito agonizando em dor.
A imagem que agora deixava o rosto de Junto em brasa o impediu de realizar qualquer ação por alguns segundos.
Com certo esforço, ele conseguiu que a moça soltasse o ombro, deixando a vista uma perfuração profunda. O veneno que conseguira se aproximar da cavidade, fervia, liberando um pequeno vapor que era levado com o vento.
Umedeceu algumas bandagens para limpar o ferimento enquanto buscava na memória o momento em que fora ferida. Nada lhe vinha à cabeça.
Com algum tempo naquele processo a dor cessou deixando Decker inconsciente. Aterrorizado com a dor excruciante vivida pela amiga, banhou-se nas águas do charco e lavou as roupas de ambos para evitar que algo dessa natureza se repetisse.
Exciting ;D
ResponderExcluirExciting ;D
ResponderExcluir