segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Desventuras de um Capitão pt. I

Atravessando as primeiras ruas da cidade, me deparei com corpos sem vida, atirados no meio da rua, outros ainda pendurados por cordas nos pescoços por todos os lugares.
Por todo lugar se ouviam choros e soluços engolidos. Eram lagrimas suficiente para inundar qualquer alma racional.
Entre os corpos estavam desde crianças até idosos. Alguns pareciam ter optado por morrer em grupo: familias inteiras entrelaçadas num abraço no canto da parede, todos apunhalados no peito. Ora optavam por levar os seres mais próximos a si, tal qual cães e papagaios.
Os remanescentes encontravam-se pelas ruas, vagando em meio a miséria emocional coletiva. A cidade estava de luto.
Em busca de respostas, perguntei aos sobreviventes, a respeito desse genocídio. Estava sempre relacionada à falta de esperança, tristeza, arrependimento. Tais respostas não me levaram a lugar algum.
Visitando algumas casas abandonadas, encontrei alguns diários de integrantes de uma sociedade de marinheiros.
Em todos haviam citações a respeito do capitão Arch, um homem cuja esposa morreu em uma viagem marítima. Logo em seguida, os relatos contavam a decadência do capitão, desde o momento em que ele chorava dias e noites à beira da praia, munido com garrafas de Rum até o os últimos dias, nos quais ele dizia ter perdido a capacidade de derramar lagrimas impedindo assim que a dor fosse embora. O Navegante começou a tentar desesperadamente desobstruir os canais lacrimais introduzindo arames repetidas vezes, até que um dia funcionou: O homem começou a chorar sangue. Os moradores ficaram aterrorizados com a imagem e o baniram da cidade levando-o a morar longe da vista de todos. Dias após a expulsão, um marinheiro decidiu visitar a velha palafita do capitão e o encontrou morto afogado em seu sangue numa bacia. Ao lado, uma carta na qual expressava sua fúria e tristeza pela ignorância dos habitantes.
Os depoimentos seguintes tornavam-se cada vez mais autodestrutivos. As paginas estavam enrugadas por agua, possivelmente... lágrimas. As páginas finais eram quase sempre uma carta de despedida, clamando aos deuses perdão pela injustiça que cometeram com o capitão. 

2 comentários:

  1. esse é um pouco triste mas ainda assim intrigante =D

    next?

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  2. Mas olha, um outro aspecto de tua escrita... ficou bem relatado vei, gostei.

    Até maiss ;*;*;*

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