Vagava pelas ruas apertadas e abarrotadas com barris e caixotes de mercadorias localizada nas proximidades do rio quando me deparei com os marinheiros remanescentes.
Ao fundo, o rio que cortava a cidade com algumas caravelas velhas ancoradas que bailavam ao ritmo do rio sossegado. Entre lágrimas e risos forçados brindavam a melancolia num copo de rum. Mais parecia uma despedida. Observei um pouco os homens sentados em volta da mesa improvisada de caixas e tabuas. Sobre a mesa, a garrafa quase vazia, e uma velha garrucha enferrujada.
Durante algum tempo, relembravam historias antigas, infância, adolescência. Abraçavam-se e se desculpavam.
Esse ritual perdurou até que em fim a garrafa acabou-se e levantaram um a um. Num ultimo olhar, um deles pegou a garrucha que estava sobre a mesa, e, do bolso tirou uma pequena caixinha retangular vermelha. Com o dedo, fez deslizar a bandeja que continha a munição da garrucha. Cuidadosamente, pos a bala unica na garrucha, em seguida, apontando-a em direção ao próprio peito. O ultimo sorriso, adeus, e suspiro.
O som do disparo, ainda que abafado pelo peito do rapaz, ecoou pelo cais, assustando as gaivotas que grasnavam sobre os telhados dos armazéns que cercavam o lugar. Não terminando por ai, os marinheiros continuaram um após o outro nesse ritual, até que o ultimo, antes de completar sua sentença, pôs os corpos de seus amigos sentados de volta à mesa, tais quais bêbados dormindo.
De seu olho, caiu mais uma lagrima, antes de puxar o gatilho da arma que ameaçava seu peito. Sorte ou azar, a arma, maltratada pelo tempo, disparou, mas dessa vez algo deu errado, e a garrucha despedaçou-se com a explosão ferindo a mão do rapaz, banhando-a em sangue e pólvora.
O rapaz abafava um rugido de ódio somado a dor enquanto apertava o pulso no intuito de estancar o sangramento.
Com passos apressados aproximei-me dele e ofereci minha ajuda. Seus olhos avermelhados de lagrimas me encaravam com um apelo, um que não poderia ajuda-lo.
Rasguei uma tira da camisa de um dos cadáveres e lhe fiz um torniquete. Conversava com ele enquanto eu tratava de seu ferimento.
Justificava-se, entre soluços. pela insatisfação da morte do capitão, erros passados e outras coisas sem sentido. Não delonguei-me muito com a conversa e o deixei em direção a palafita onde o capitão viveu seus últimos dias.
Ficava nos confins da cidade, numa zona inabitada, cercada pelo vestígio do que foi um jardim. Enquanto me aproximava da região remota o céu começara a abrir-se, revelando o sol que a muito não via. O silencio foi dando lugar a uma respiração carregada, obstruída, insuficiente.
Pelas frestas podia ver uma entidade dentro da palafita. Andava de um lado pro outro, revirando o pouco da mobilha que havia no interior da casa. Aproximava-me cada vez mais, e a criatura tornava-se cada vez mais impaciente.
taa massa!
ResponderExcluirmas vc é um tratante... cade o romance?//
PS: eu ja disse q ñ vou desistir!
=D
Profundo...
ResponderExcluirMais um voto para o romance \o
:*