quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Desventuras de um Capitão pt. III

Os deuses pareciam estar interessados em assistir o primeiro combate real do Alpha iniciante. Os raios de luz chegavam a quase me cegar.
Quando Aproximei-me da porta a criatura parou completamente. O vento que penetrava o abrigo num assovio mórbido era o único som ouvido. Empurrei a porta improvisada com taboas velhas e desgastadas que rangia terrivelmente.
Dei os primeiros passos dentro da palafita. Com os olhos ainda não adaptados à mudança de luminosidade estava incapaz de ver algo. Aos poucos, recobrando a visão, ví a criatura abaixada sobre os joelhos no canto escuro do cômodo único.
Antes que minha mão alcançasse a espada presa em minha cintura, a criatura saltou em minha direção mostrando sob a luz sua real forma. Ainda possuía traços humanos: sua fisionomia seca e raquítica trazia uma face preenchida com duas faixas de sangue que escorriam de seus olhos, borrando no queixo. Vestia o que talvez um dia foi uma roupa de capitão que agora, rasgada complementava a imagem deprimida da encarnação da tristeza.
Fui arremessado contra a porta, derrubando-a. O capitão sobre mim puxava meu rosto contra o seu na tentativa de unir nossas testas. Resisti com toda a força que tinha, mas, a criatura era muito forte.  Quando unidas as testas, ele olhou nos meus olhos e inexplicavelmente suas pupilas dilataram completamente fazendo sua íris tornar-se um espelho que me mostrava aterrorizado de medo. Lagrimas começaram a saír dos meus olhos, flutuando em direção aos dele.
Apenas o silencio tomava aquele lugar. Em choque, não conseguia me mover até que um trovão ameaçou trazer uma chuva.
O susto me fez retornar. Com o cabo da espada desembainhei acertando seu abdômen derrubando a criatura ao meu lado. Com a lamina paralela ao meu braço cravei-a no peito do capitão. Contorcendo-se e gritando terminei meu dever. Com as duas mãos, arrastei a lamina em direção à cabeça dividindo parte de seu corpo em dois. Uma estranha energia correu pelo chão em direção à cidade.
Limpei-me enquanto via o corpo do capitão secar rapidamente. Apanhei a pederneira que estava jogada ao chão e pus fogo na casa. Enquanto voltava para cidade em busca da gratidão dos cidadãos a palafita queimava até as cinzas.
Para minha surpresa, fui recebido com ódio dos moradores, sob pedradas ofensas. Acusavam-me de assassino, desumano. Não podia entender o porquê. Talvez fosse a parte que me avisaram sobre ser uma tarefa difícil.
Mais nada me prendia naquela cidade hostil. Minha frustração tomara conta de mim, não sabia o que fazer. Jogar tudo fora e viver uma vida mais tranquila fosse a solução.

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