terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Resistência

A lua tímida dessa noite gelada tornara a escuridão um imenso borrão em minha visão. Dentro da cabana de madeira iluminada por uma lareira eu refletia a respeito do acontecido a meses atrás na vila. Afogado em meus pensamentos não percebi o tempo passar, levando consigo as ultimas toras de madeira que restavam. Precisava pegar mais lenha antes que as chamas se acabassem.
Sob uma pele de lobo e alguns outros itens, saí munido de meu machado recentemente afiado. Nas redondezas não encontraria nenhuma madeira útil, apenas galhos verdes devido aos recentes incêndios naturais. Alguns poucos minutos de caminhada me levaram a uma planície ornamentada apenas com uma grama alta, que, embalada pelo vento, dançava sutilmente, tal qual um oceano num dia de verão.
Naveguei por entre o mar verde. Próximo ao centro, onde o céu ficava mais visível, pude ver a graça da noite. Um véu de estrelas se estendia, escorrendo do nordeste para o sul. Muitas constelações poderiam ser descritas naquele dia por um bom observador.
A beleza dos céus me tirou o ar por alguns segundos, mas logo prosseguí para o meu objetivo principal.
Os sinos de um rebanho de vacas se aproximavam possivelmente atraídas pela vastidão desse gramado. Mas quem poderia estar conduzindo um rebanho a esta hora?
Continuei arrancando os galhos, um a um, selecionados a dedo.
Os sinos se aproximavam rapidamente agora. Algo provavelmente assustou o rebanho, em breve veria o pastor.
Ao norte a mata começara a se mover bruscamente, nada saíra de lá. Junto ao meu machado fiquei alerta, não havia rebanho algum em minha direção, mas os sinos continuavam a chacoalhar.
De alguma forma a criatura já havia se misturado à grama. Extremamente cuidadosa, acompanhava os movimentos do vento para esconder-se. As correntes aéreas faziam muito barulho ao mover a vegetação, o que me atrapalhava muito.
Percebi então que não havia rebanho algum vindo em minha direção, pelo menos não vivo. Mesmo com tanta precisão, a criatura deixava escapar algumas batidas dos sinos.
Com meus olhos e ouvidos inibidos eu estava totalmente indefeso. Até que o primeiro ataque veio. Um quadrúpede saltou pela minha direita com suas garras prontas para arrancar meu pescoço fora. Com sorte e algum reflexo conseguir reduzir o ferimento à apenas cortes profundos no meu braço.
Logo após o ataque a criatura mergulhou novamente no gramado, minha chance. Com a força que consegui canalizar, cravei meu machado no local. A surpresa maior acabara de aparecer.
Aparentemente, ele se dividira em três e correu misturando-se novamente. Cada onda deslocou-se em sentidos diferentes.

3 comentários:

  1. Mazóia...o escritor tibiano está de volta!! xD

    Já tava na hora.

    E q criatura é essa? Não consegui identificar! Aguardando o próximo.

    Aaah...mto bom o texto!

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  2. Como sempre, muito bom.
    Maaaaaaass, me surpreenda Agnaldo!
    Se possível no próximo post :D

    Até mais :*

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